Amor, sexo e conversa
- Fernanda Barros
- 11 de set. de 2023
- 3 min de leitura
Sexualidade é uma palavra que tem sido espalhada e compartilhada com mais frequência nos últimos tempos, mas precisamos entender o que significa, então borá lá!
Sexualidade é um aspecto do ser humano do começo ao fim da vida e envolve sexo, identidade de gênero, orientação sexual, erotismo, prazer, intimidade, reprodução e tantas outras coisas. A sexualidade é expressa em pensamentos, fantasias, desejos, crenças, atitudes, valores, comportamentos, práticas, papéis e relacionamentos. E é influenciada pela interação de fatores biológicos, psicológicos, sociais, econômicos, políticos, culturais, éticos, legais, históricos, religiosos e espirituais. Ou seja, sexualidade está no nosso dia a dia, na nossa rotina, mesmo não percebendo ela está lá, sendo expressa, influenciada e construída.

Quando vamos falar sobre sexualidade e sexo nas relações afetivas, precisamos considerar o papel da sexualidade para cada indivíduo e como esses papeis individuais estão se conectando na relação amorosa. A sexualidade tem um papel e um peso diferente para cada casal, assim como seus rituais, significados, práticas e mitos, por isso, é preciso falar sobre o assunto com a parceria e negociar essa prática. Lembrando que as negociações devem sempre estar atualizadas de acordo com o ciclo de vida de cada membro da relação.
A ausência de diálogo e acordos atualizados podem causar insatisfações e conflitos na relação. Além disso, muitos mitos e tabus são criados e alimentados a partir das experiências e vivências de cada membro da relação, comprometendo a qualidade e satisfação sexual do casal.
A experiência clínica mostra que a cada dia mais pessoas buscam conversar sobre sexualidade, mas ainda assim, é comum casais com habilidade de comunicação em diversos aspectos da relação, porém apresentam dificuldades em abordar assuntos sexuais. Para muitas pessoas falar de sexo parece fácil, difícil é falar sobre a própria sexualidade e ainda mais difícil é falar sobre sexo com quem se faz sexo.
Casais disfuncionais sexualmente tendem a maior dificuldade de dialogar sobre sexo e sexualidade, alimentando crenças disfuncionais que são socialmente compartilhadas como por exemplo “sexo não se fala, se faz”. A dificuldade em verbalizar sobre o tema, provoca uma comunicação e negociação ineficiente na relação afetiva. Compartilhar as preferências sexuais é fundamental para a satisfação sexual e qualidade de vida na relação afetiva, a falta de conhecimento está associada a manutenção das disfunções sexuais. (Reahman, Rellini, & Fallis, 2011).

Falar sobre sexo e sexualidade com a parceria, para muitos, é impossível, inimaginável, desnecessário, constrangedor, é como abrir uma caixa de pandora e destruir o mundo ao redor. Questões relacionadas aos desejos, fantasias e preferências sexuais, raramente são dialogadas de forma direta, criando um abismo que poderá ser preenchido com especulações, achismos e angústias, pois “quando não sabemos, imaginamos” (Sardinha, 2017). O achismo e o imaginário são comportamentos que não promove saúde na relação afetiva, causando conflitos e insatisfação, devido à baixa taxa de assertividade.
É comum observar estratégias disfuncionais na tentativa de resolução de problemas, como por exemplo o encerramento precoce de discussões, reduzindo ainda mais a chance de enfretamento eficaz do problema. Além disso, as disputas de poder, o jogo de ganha perde na relação acaba anulando qualquer chance de reconstrução, reconexão da relação afetiva, deixando o casal cansado das tentativas falhas.
No consultório, a prática terapêutica tem como base a construção de uma visão mais clara do casal, contribui para identificar as ferramentas e recursos mais significativos para cada casal, possibilitando o desenvolvimento da habilidade de comunicação sexual, assim os casais podem lidar com os conflitos mais facilmente, diminuindo o estresse e aumentando a confiança na parceria, promovendo o prazer na relação afetiva.
E você?! Está preparado para falar de sexo com a parceria?
Um abraço,
Fernanda
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