Relacionamento e sua construção social
- Fernanda Barros
- 13 de jun. de 2022
- 3 min de leitura
A evolução do relacionamento passou por diversas fases no decorrer da história da humanidade e constantemente vem se modificando e cada vez mais ficando personalizada de acordo com cada pessoa que vive uma relação amorosa.
Uma coisa é certa, não tem como falar sobre relacionamento sem destacar a história e luta das mulheres.
Na pré história, tudo era de todos, desde a comida até os desejos amorosos e sexuais, nesse período o homem não sabia que a procriação acontecia através de um homem e uma mulher, eles acreditavam que as mulheres eram Deusas, que geravam em seu ventre uma criança.
Desde que o mundo é mundo, nossa evolução acontece por observação, pesquisa e testes. E foi exatamente com a observação dos animais, que o homem compreendeu que para nascer um novo animal era necessários um macho e uma fêmea, e foi assim descoberto que a mulher precisava do homem para procriar e o homem precisava da mulher para gerar seus filhos.
Com essa descoberta, iniciou-se o processo de propriedades privadas e a construção familiar. O homem não queria alimentar ou deixar suas terras para os filhos de outros homens, “o que é seu é seu, o que é meu é meu”. Nesse contexto, as mulheres passaram a ser como as propriedades, acorrentadas ao seu homem para cuidar dele, dos filhos e da casa.
Há mais ou menos 2.500 anos atrás (ainda na pré história) na Grécia, com a evolução do homem, instalou-se de forma potente a invisibilidade da mulher, que tinha apenas uma função - ser excelente dona de casa, já o papel do homem foi ficando cada dia mais “endeusado”, em uma relação de submissão e dominância.
A partir do século 17 os casamentos eram tratados por conveniência. No século 19 surgiu o amor romântico, um amor onde um completa o outro, um amor que se morre pelo o outro, se tornam um só e vivem felizes para sempre. Esse amor romântico foi incluído no casamento somente em 1940, quando o casamento passou a ser realizado por escolha do casal e não mais pela família, o casamento passou a ser o ápice de desejo, pois envolvia afetividade e satisfação sexual.
Nos anos 50, conhecido como anos dourados, quando as propagandas eram o ponto forte do rádio, surgiu a televisão e o padrão de beleza estrelado pela Marilyn Monroe. Com a chegada do rock'n'roll, tv, revista, moda, notícias e outros acontecimentos da época, surgiu a ideia de “mulher fácil” e “mulher difícil”, os valores familiares começaram a ser questionados. No inicio dos anos 60, em meio a todo esse “bum” de novidades, questionamentos e mudanças, foi lançado o anticoncepcional, um aliado forte ao sexo e ao prazer, dando voz aos movimentos feministas, gays e hippie. Caminhando nos anos 60 com muitas lutas e batalhas, as mulheres foram mudando, ganhando autonomia e evoluindo a forma de se relacionar consigo mesma e com o outros, sendo valorizada como mãe amorosa.
Com a vivência do amor romântico, surgiu a separação pelas insatisfações no relacionamento, uma independência dificilmente conquistada. Aqui estamos falando do desquite, onde não era permitido se casar novamente e os vínculos conjugais não eram separados, além do preconceito e julgamento sofrido pela mulher desquitada. Somente em 1977 o divórcio foi instituído oficialmente no Brasil.
Desde então, os relacionamentos passaram por diversas fases, algumas delas fortemente impostas pela igreja com base no patriarcado.
No século 21, as relações ainda tem como base o amor romântico, aquele que se funde duas pessoas se tornando uma só, sem olhos e desejos por mais ninguém. Mas não seria esse amor uma forma de aprisionamento? De tirar a individualidade do outro? Não seria uma ilusão acreditar que não se vai sentir desejo por outras pessoas?
Já existem sinais de que esse amor romântico está saindo de cena e dando lugar a relacionamentos mais realista, respeitando o espaço do outro. Será que vai cair por terra essa fusão de pessoas?
Atualmente os estudos sobre as formas de se relacionar tem sido motivo de grandes pesquisas e discussões. A liberdade de ser, tem tomado a frente das relações e muitos tem experienciado essa liberdade de se relacionar fora do quadrado tradicional. A busca por bem-estar em um relacionamento está se tornando prioridade, modificando toda a forma de se relacionar.
Por Fernanda Barros
CRP 04/62009
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